sexta-feira, 14 de abril de 2017

O ROMANCE DE ADELE E JOHN LENNON



John acordou às 9:00h, apreensivo. Quase não comeu nada antes de sair de Weybridge. Disse à Cynthia que teria uma reunião com Brian Epstein, Paul, George e Ringo. Não poderia dizer que se encontraria com a cantora cuja voz o seduzira. Esse encantamento era recíproco.
Chegando à casa de Adele, parecia uma materialização do clip de “Hello”... ela acompanhava o Rolls Royce dirigido por Alf Bicknell aproximando-se pela estrada, que estacionou no jardim. John dispensou Alf assim que saiu do carro. Adele acompanhava a tudo, pela janela, com seus olhos verdes. A manhã estava cinza, nublada, um clima típico inglês, mas seus olhos estavam incrivelmente verdes, mais do que nunca.
John nem precisou tocar a campainha, Adele já estava na porta. Sorriram e disseram “Hello” ao mesmo tempo, se beijaram no rosto, Lennon entrou. Sentou no tapete e ficou degustando o vinho francês que Adele lhe servira. Norwegian Wood.
Depois, a cantora lhe serviu também um violão e pediu que o beatle tocasse algumas músicas do conjunto, que ela adorava. Ela resistiu em fazer um dueto, apenas acompanhava, sorrindo tímida e maliciosamente, sem tirar os olhos de John. O clima estava só começando.
Adele disse a John que adorara “Rubber Soul” e que era seu álbum preferido. Amável toda vida, John sorriu agradecido e tocou algumas canções do álbum. Lennon unplugged.
John voltou para o tapete e Adele deitou-se no sofá próximo. Conversaram, regados a vinho, e seus olhares não cansavam de se cruzar. John disse que se encantara com “Hello”, e voltou ao piano, pedindo que Adele a cantasse. Em pé, ela cantava, caminhando lenta e sensualmente, ao redor do piano.
Adele retribuiu dizendo que se maravilhara por “Norwegian Wood (This Bird Has Flown)”... era a trilha sonora do encontro. John pegou o violão novamente e tocou a música, enquanto Adele cantava as partes que cabiam a Paul: “She ask me to stay and she told me to sit anywhere”... encorajado pelas taças de vinho, John confessou que ela lhe inspirara a compor “Norwegian Wood”. Pausa para mais uma longa troca de olhares em silêncio... Adele lhe pediu que ficasse.
Àquela altura suas libidos pegavam fogo, de seus olhares saíam faíscas de paixão. Era inevitável. Adele pegou com delicadeza o rosto de John com as duas mãos, e o beijou, e se beijaram sofregamente, e muito, em todas as partes de seus corpos que suas bocas podiam alcançar.
Já passava de duas da manhã quando Adele e John Lennon fizeram amor... com muito amor, amor demais. Adele e John estavam completamente, perdidamente, exageradamente apaixonados. Dormiram abraçados.
Outro dia nascia. Here Comes The Sun. John tinha que ir, disse que trabalharia pela manhã em Abbey Road. Adele sorriu, acompanhou com os olhos, pela janela, os passos do beatle pela estrada pela qual chegara.
Seu pássaro tinha voado...
No caminho, John acendeu um cigarro... muito bom... Norwegian Wood.


Adendos:
 -WEYBRIDGE: bairro do subúrbio londrino no qual John Lennon comprara a mansão onde morou de 1964 a 1968;
- ALF BICKNELL: motorista contratado para servir os Beatles, de 1964 a 1966;
- NORWEGIAN WOOD (THIS BIRD HAS FLOWN): música dos Beatles, lançada em 1965 no álbum Rubber Soul. Segundo o autor, John Lennon, a letra narrava um caso extra-conjugal do beatle na época em que foi casado com Cynthia Lennon;
- RUBBER SOUL: sexto álbum de estúdio dos Beatles, lançado em novembro de 1965.
- CYNTHIA LENNON: primeira esposa de John Lennon, mãe do único filho de ambos, Julian Lennon. O casamento durou de 1962 a 1968;
- ABBEY ROAD: estúdio de gravações e produções musicais no qual os Beatles fizeram praticamente todos os álbuns da carreira da banda.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Entrevista com o ex-Presidente da República Arthur da Costa e Silva (realizada em 2009 num outro plano espiritual)



Essa noite eu estive com o ex-Presidente da República Arthur da Costa e Silva. Eu estava esperando o velho marechal numa sala meio escura, paredes forradas de madeira, e tinha duas poltronas de couro marrom bem confortáveis para que sentássemos para a entrevista. Um clima bem brasiliense. Como eu tinha lido no livro "1968 - O ano que não terminou" ele tinha mesmo a cara de um tio. Marcamos às 23h e o "tio Arthur" chegou pontualmente, como manda o bom e antigo protocolo militar, com aquele bigode e os mesmos óculos de armação preta. Trajava terno e gravata escuros. Pareceu amigável, me deu boa noite, apertamos as mãos e nos sentamos. Regamos a entrevista com água mineral, chá e suco de maracujá. Ele parecia à vontade quando comecei minhas perguntas tocando logo na "ferida":



- Presidente - achei que ele gostaria de ser chamado assim - o senhor sabe que o AI-5 fez quarenta anos, não?
- Sim, filho, eu sei. Provavelmente você vai me fazer perguntas sobre ele com pitadas de críticas, não?


- Espero que o senhor esteja preparado. Para começar, o senhor não acha que o Ato Institucional nº 5 poderia ter sido chamado também de Ato Radical nº 5?
- Olha, rapaz.... (faz a primeira das inúmeras caras de insatisfação e dá uma pausa) Era preciso que o Brasil mudasse. Víamos que o Brasil estava com um povo pouco patriota, os estudantes não iam mais às aulas para estudar e sim para protestar contra tudo, o comunismo estava começando a se infiltrar no país através da figura de João Goulart e seus asseclas. Apesar de não ter gostado do seu trocadilho, precisávamos combater o radicalismo com radicalismo, então decidimos promulgar o ato. Eram passeatas, manifestações contrárias, violentas e ofensivas ao governo, tanta pressão por todos os lados, que não vi outra saída.


- Mas Presidente, o efeito causado pelo AI-5 só gerou mais violência. Grupos de guerrilha de esquerda foram formados, organizados e o senhor lembra das consequências, não?
- De fato. Mas precisávamos nos impor, além do mais duvidei que aqueles grupos de comunistas poderiam fazer frente à organização das forças armadas e forças auxiliares.


- Não era o caso de fazerem frente, mas muita gente morreu tragicamente e até hoje estão desaparecidos.
- Infelizmente alguns justos pagaram pelos pecadores, foi preciso ação radical do Estado para que fizéssemos com que o Brasil crescesse, a economia melhorou, e outros pontos. Houve expansão industrial e conseguimos controlar a inflação. O referido Ato Institucional não foi uma decisão isolada do Presidente da República. Me reuni com meus ministros militares, depois com Delfim Netto e Hélio Beltrão (respectivamente o ministro da Fazenda e o ministro do Planejamento), aos quais perguntei se o fechamento do Congresso criaria problemas de ordem econômico-financeira ou dificuldades internacionais. Os dois garantiram que nada havia a temer nessa área. Só quem se opôs foi meu vice-presidente Pedro Aleixo, no entanto fora voto vencido.


- O que o senhor achou da atitude extremamente violenta da polícia ao balear o estudante Édson Luís de Lima Souto no Calabouço?
- Até hoje usam o nome desse menino para alfinetar o meu governo, fizeram um enterro de mártir para ele. Claro que fiquei sentido com o episódio, era um garoto, mas foi uma bala perdida! Os policiais pensaram que os estudantes, que protestavam contra o aumento do preço da refeição e outras condições insatisfatórias, iriam depredar a Embaixada dos Estados Unidos no Rio, que fica perto de onde foi o restaurante, e invadiram esse local. Num gesto de desespero, e, reconheço, de despreparo, deram um tiro e atingiram o rapaz sem intenção.


- Bala perdida, Presidente? Um tiro à queima-roupa?
- Despreparo e desespero do atirador, sem dúvida, numa situação atípica.


- Também não havia necessidade daquela repressão durante a missa de sétimo dia....
- Na verdade tropas foram enviadas mais para garantir a ordem, não para reprimir. O tumulto começou por parte de uma meia-dúzia de estudantes, então se desencadeou, e como eram tropas a cavalo os animais se assustaram e ficou como rastilho de pólvora. Não queríamos que houvesse um tumulto na ocasião, mas a situação ficou fora do controle das autoridades.


- O discurso do deputado Márcio Moreira Alves que sugeria que a população não comemorasse o 7 de Setembro, foi o grande motivo para promulgar o AI-5?
- Esse deputado na verdade queria aparecer, ser a pedra no sapato do Governo. Tentei processá-lo pedindo licença à Câmara, pois é um ato de extrema subversão incitar o povo de uma nação a não comemorar o dia de sua independência. Como me foi negado, tive que chamar para si a responsabilidade de Chefe Maior da Nação ao outorgar o Ato Institucional nº 5, que entre as medidas estava a de colocar o Congresso em recesso por tempo indeterminado e conferir ao Presidente poderes mais amplos. Foi a solução que tive em mente para salvar o Brasil das más influências subversivas. Podem dizer que foi radical, precipitada, mas precisava salvar nosso país.


- As palavras do Deputado Márcio Moreira Alves em seu discurso na Câmara feriu tanto assim a honra dos militares que governavam o Brasil? Muitos acharam que isso foi apenas um pretexto.
- Meu filho, quem apela para que os pais não permitam aos seus filhos marcharem ao lado dos "carrascos que os agridem e os fuzilam nas ruas" - palavras dele - e propõe às moças que "não dancem com os cadetes no baile da Independência" está querendo arrumar confusão! É subversão merecedora de reprimenda! (pronuncia as duas frases com muita ênfase) O discurso foi reproduzido em milhares de cópias mimeografadas e distribuídas em todos os quartéis e guarnições para que todos tomassem ciência desse ultraje. 


- O que o senhor achou da formação da Frente Ampla (aliança entre Jango, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda contra o regime)?
- Simplesmente mais um ato isolado de subversivos que adoravam ver o Brasil bagunçado. Ainda assim ficamos esperando uma ação extremamente fora da lei dessas pessoas para que pudéssemos agir - não podem dizer que abusamos da autoridade por isso - o senhor Lacerda acusou em público o general Jaime Portela de haver usurpado o poder e de ser o verdadeiro chefe de Estado, em lugar de minha pessoa. Não podíamos admitir essa ofensa e lhe tiramos os direitos políticos.


- Até hoje a morte dos três principais líderes está muito mal explicada...
- Veja bem (faz uma longa pausa, me encarando o tempo todo com as sobrancelhas erguidas)... a esposa de JK acha que o acidente de carro que ele sofreu fatalmente em agosto de 1976 foi premeditado. No final do mesmo ano, meses depois, o Sr.Goulart morrera de enfarte devido ao fato de ter consumido alimento envenenado. No ano que se seguiu, trocaram os remédios no hospital onde o Sr.Carlos Lacerda estava internado. Sei muito bem o que você está querendo insinuar, rapaz! (fala com um tom mais enérgico e me encarando o tempo todo). Então esses três cidadãos morreram assassinados pelos militares? (Costa e Silva se altera, aumentando o tom de voz)


- Houveram especulações quanto a essa hipótese.
- Especulações não são dados concretos, meu filho!!
- Bem, Presidente, presumo que o senhor está dando pontos finais a essa questão.
- Perfeitamente!


- Passemos adiante... quais foram os pontos positivos do seu Governo, Presidente?
- Poderíamos passar uma eternidade para escrevê-los, rapaz... (pronuncia a frase já com um certo enfado na voz)


- O senhor está com pressa?
- De forma alguma. Tenho toda a eternidade para isso. Mas quanto a você, que é jovem, tem uma vida inteira pela frente, não? Ainda entrevistará muita gente por aqui.
- Creio que sim, Presidente. 
- Você acha que estamos no céu ou no inferno? (pergunta, quase esboçando um sorriso)
- Essa pergunta me parece mais um julgamento. Acho que estamos em campo neutro (preferi ser cuidadoso). 


- E você tem mais alguma pergunta, filho?
- Estamos chegando ao fim, excelência. Em 1970 o Presidente Médici se aproveitou do sucesso da seleção brasileira tricampeã no México para mostrar o crescimento do Brasil. Não lhe ocorreria fazer o mesmo em época de Copa do Mundo?
- Fui empossado Presidente da República em março de 1967, em 1966, ano da Copa do Mundo de futebol na Inglaterra, o Presidente era o General Castelo Branco. Na minha opinião não se deveria misturar as coisas, mas logicamente quaisquer atletas que fossem representar nosso país na Inglaterra em 1966 ou em qualquer outro país ou evento esportivo oficial teriam total apoio do meu governo. É claro que, como chefe maior da Nação eu enalteceria o feito daqueles bravos rapazes, mas você empregou muito mal o termo "se aproveitou".


- Foi o senhor que sugeriu que seu sucessor seria Médici?
- Sim. Eu estava no Palácio das Laranjeiras em agosto de 1969, extremamente debilitado, quando o Ministro da Marinha, o Almirante Augusto Rademaker, me visitou expondo uma lista com três generais do Exército sugeridos para me suceder e escolhi Emílio Garrastazu Médici.


- Dos cinco presidentes militares, três deles eram gaúchos. Como o senhor, natural de Taquari, vê a importância do Rio Grande do Sul nesse aspecto?
- O gaúcho sempre foi muito patriota, muito tradicional, cultivador de suas raízes e fiel a elas, muito participativo nas questões governamentais, em defesa de seus latifúndios, na luta pelos seus direitos, movimentos de liderança e sempre brigando por um estado melhor, sem contar que o Rio Grande não contribui apenas com pessoas, mas com elementos que fazem com que nossa economia esteja acima das dos demais países sul-americanos. Fiquei feliz em saber que transformaram minha casa no Museu Costa e Silva.


- Como o senhor vê o Governo Lula?
- Concordo quando ele diz que o brasileiro tem que acreditar em si mesmo e no país. Mas é pura teoria, esse moço fala muito bem mas não faz e nem sabe de nada. Não concordei com as prerrogativas do "Fome Zero". O país está com esse câncer da corrupção que não existia nos governos cujos presidentes foram militares - Castelo Branco, eu, Médici, Geisel e Figueiredo, e creio que a maioria do povo gostaria de ver novamente os militares no poder para terminar de vez com o tráfico, os crimes atrozes e outras barbaridades que têm por aí, como a corrupção e o desemprego. O Brasil não está preparado para o Socialismo, nem para o Comunismo, nem para ser governado por um homem cujas raízes políticas cresceram a partir das teorias esquerdistas. 


- Presidente, pergunta final: como foi sua morte?
- Faleci no Rio de Janeiro, em 17 de dezembro de 1969, em consequência de uma trombose cerebral.

terça-feira, 20 de maio de 2014

SANTOS DUMONT E O FUTEBOL BRASILEIRO


Santos Dumont suicidou-se ao ver seu invento usado para destruir vidas, principalmente durante a Primeira Guerra Mundial. 
É correto o ser humano usar sua inteligência para a sua própria destruição? O avião foi feito com o propósito de transportar pessoas e objetos para largas distâncias com o menor tempo possível, e acabou sendo transformado em arma letal.

O mesmo acontece com o futebol, hoje em dia. O esporte que tanto nos trazia alegrias, tirando momentaneamente, como um sonho, a frustração do povo em outros setores amargos da vida, deixou os verdadeiros boleiros em estado de depressão profunda. Os jogadores eram respeitados, a maioria defendia as cores do clube pelo qual torcia antes de se tornar profissional, e tinham como principal objetivo na carreira representar seu país no gramado de um Mundial. Outro objetivo, tão singelo, sem deixar de ser nobre, era poder comprar uma casa para a família.

Tudo mudou. A ganância alastrou-se como um vírus perverso e incurável. O futebol tornou-se um balcão de negócios, um verdadeiro mafuá, com dirigentes desprovidos do bom caráter, no qual todos os envolvidos possuem apenas um objetivo: enriquecer, não importando como.

O torcedor, cuja única diversão era ir à geral do Maracanã para ver seu time, seus ídolos construírem um sonho - ainda que temporário - pagando o mínimo para isso, nem geral tem mais, depois da reforma dos estádios. E eles próprios acabavam sendo a maior atração, nos divertindo com suas atitudes e fantasias exóticas. Mas, esse sonho acabou.

O torcedor de arquibancada, colecionador de figurinhas dos ídolos dos gramados que acabou virando jogador, a maioria conseguindo passar na peneira de seu time de coração e realizar o sonho de defender seu time, também acabou. O morador que enfeitava sua rua em época de Copa do Mundo virou uma espécie em extinção. 

Fico com medo de que os ex-geraldinos, os ex-colecionadores de figurinhas, os ex-jogadores que amavam o clube pelo qual defendiam, façam como Santos Dumont ao ver tamanha mudança: cometam o suicídio, neste caso em massa. Aí mesmo é que não vai sobrar nem o passado glorioso do futebol. 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro - pela ordem

Para quem curte carnaval, eis a tabelinha da ordem dos desfiles das escolas nesse ano:



SE O FACEBOOK MUDASSE O BRASIL...


É uma pena que não consigamos absolutamente NADA quando postamos nossa indignação no Facebook quanto à presidente, que continuou com o "bolsa-esmolas" em vez de criar uma política de empregos, ignorando a imensa crise econômica pela qual o Brasil passa, sem contar outros absurdos de sua administração confusa e corruPTa.
Também, infelizmente não estamos conseguindo NADA quando queremos que o Big Brother Brasil seja eliminado da televisão brasileira. Nem quando nós, do Rio de Janeiro, postamos as incompetências do prefeito Eduardo Paes e também do dinheiro do povo gasto pelo governador Sérgio Cabral em viagens para Paris, por exemplo. 
Assim como você de São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e demais cidades e capitais brasileiras, que também querem o fígado de seus políticos locais.
Quando postamos também o absurdo que é um político ganhar mais do que um professor ou do que um médico, estamos tapando o sol com a peneira. É uma pena também que não conseguimos, através de nossas postagens, sensibilizarmos as pessoas para não maltratarem as nossas crianças e os animais. Malhamos em ferro frio! Mas, por quê?
Isso tudo que postamos não chega até aonde mais seria necessário: à população das áreas rurais, nem às cidades nortistas e nordestinas interioranas e também não chega àquele analfabeto que não sabe o nome da presidente do seu próprio país - geralmente não sabe nem o que é presidente - o sertanejo que não tem sequer água potável para seu consumo, à classe paupérrima que, quando tem farinha e água na mesa é um banquete, aos habitantes de cidades piauienses e maranhenses, estados que abrigam as cidades mais miseráveis do país, à população de cidades nas quais 95% vive (?) com menos de revoltantes R$ 70,00 mensais, que, para eles, televisão seria coisa do capeta ou de outro planeta - se soubessem o que é um planeta - até mesmo um rádio, o que dirá Internet e nosso querido Facebook.
O número de pobres no país é maior do que se imagina. Não têm acesso, nem instrução, mal têm rede de esgoto, então nem podem ter opinião formada sobre tudo. Nós todos somos, talvez, um copo d'água no oceano, que usamos o Facebook para expor nossas indignações pessoais, que, para nossa frustração, não tem o poder de mudar o mundo usando a mágica da tecla "ENTER".
Mas insistimos, como traças! Sonhamos utopicamente com um Brasil menos pior, não nos conformamos!
Por enquanto vamos postando não só nosso inconformismo, mas aquilo que também nos diverte: felicitações pelos aniversários, poemas, frases para levantar nossa auto-estima, videoclips musicais, e fatos que talvez possam não mudar o mundo, mas se mudar nossa rua já nos daríamos por satisfeitos.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Dia da Consciência de todas as cores!



Comemoramos amanhã o dia da Consciência Negra. Então os outros 364 dias restantes não se deve ter consciência de que o negro não deve ser tratado como um pária da sociedade em pleno 2013? O preconceito existe sim, e deve ser combalido diariamente, nas escolas, nas repartições, nas indústrias, nas comunidades.... bem, já que existe a data - ou semana - comemorativa, vamos aproveitar para repensar as injustiças não só quanto à raça negra, mas todas elas, e promover a igualdade social. E também retirar de nosso vocabulário as expressões racistas como "estou num dia negro", "minha situação é negra" e afins. A palavra "negro" no plural ou no feminino não pode nem deve ser sinônimo de ruim. Mas que tenhamos Consciência de todas as cores, ou de nenhuma, para que não haja segregações.

Não se esqueçam da grande contribuição mundial da cultura negra. E que o melhor do futebol e o melhor da guitarra, insuperáveis em todos os tempos, foram negros. Um tapa com luva de seda na cara da turma racista!

NELSON MANDELA - R.I.P.


SUGIRO QUE NO JOGO DAS ESTRELAS DESSE ANO A RENDA SEJA REVERTIDA PARA O POVO DO RIO DE JANEIRO AFETADO PELA DESTRUIÇÃO CAUSADA PELAS CHUVAS RECENTES!



O tradicional Jogo das Estrelas, que deverá ser disputado no dia 28 de dezembro no novo Maracanã, contará com a presença do organizador de todos os anos, Zico, o eterno Galinho de Quintino, maior ídolo de todos os tempos da torcida rubro-negra, e também outras feras do futebol.
Faço um apelo para que este ano a renda seja encaminhada à população carioca que sofreu com os estragos do último temporal, atingindo grande parte da Baixada Fluminense e vários bairros da Zona Norte do Rio de Janeiro.
A minha ideia principal é que cada torcedor deveria levar como ingresso um quilo de alimento não perecível, ou mesmo água mineral e até roupas.
Seria um gesto muito nobre por parte das estrelas do futebol, que já nos deram tanta alegria e não custaria nada ajudar o povo que está sofrendo com o castigo do exagero das chuvas, perdendo praticamente tudo que conquistou materialmente nos últimos anos.
Vamos divulgar, compartilhar, contemos com a sensibilidade de todos os envolvidos no projeto "Jogo das Estrelas" nesse momento difícil.

domingo, 30 de junho de 2013

BRASIL E ESPANHA 63 anos depois se reencontram no Maracanã hoje

Pela segunda vez, Brasil e Espanha se enfrentarão no Maracanã. Hoje também é uma decisão, mas na primeira vez em que se enfrentaram ainda não existia a Copa das Confederações, estávamos disputando simplesmente a IV Copa do Mundo, aquela fatídica que perdemos para o Uruguai em pleno Estádio Mário Filho, no Rio de Janeiro.
Era o último jogo antes da maior tragédia do futebol brasileiro, e havíamos goleado a Suécia por 7 a 1! O time estava "supimpa", lembrando uma gíria da época, e éramos favoritos para a conquista do Mundial, e a goleada frente à Espanha só veio a fortalecer esse favoritismo.
Apesar do retrospecto desfavorável (havíamos perdido para a Espanha na Copa de 1934 por 3 a 1) a torcida aguardava mais uma vitória brasileira.
O artilheiro Ademir de Menezes, do Vasco da Gama, o Roberto Dinamite da época, abria o placar aos 15 minutos. Jair Rosa Pinto aumentou em seguida, aos 22 minutos, e aos 31 foi a vez do contestado atacante Chico, também do Vasco, fazer o terceiro.
Fomos para o vestiário com a vitória praticamente garantida. Mas a Seleção voltou ao segundo tempo querendo mais.
Chico novamente chega aos 10 minutos para fazer o quarto gol. O quinto gol foi de Ademir, outra vez. E, fechando a tampa do caixão espanhol, Zizinho chuta para fazer o sexto e último gol. Nem se deu importância ao gol de honra da Espanha, pois a essa altura a torcida cantava em uníssono a marchinha carnavalesca "Touradas de Madrid", cujo autor, Braguinha, estava presente no Estádio.
Emocionado com a atitude da torcida ao cantar sua música, Braguinha chorava copiosamente. Um homem negro comentou : - O Brasil tem cada uma.... centenas de pessoas felizes e cantando e esse espanhol fdp chorando no meio de tudo..."
Mas, infelizmente, no jogo seguinte a mesma centena chorou de tristeza ao término dele.

Ficha Técnica
13/07/1950 - Brasil 6 x 1 Espanha - Maracanã (Rio de Janeiro)
Público: 152.772.
Árbitro: Reginald Leafe (Inglaterra).
Auxiliares: George Mitchell (Escócia) e José da Costa Vieira (Portugal).

Brasil: Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Danilo e Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair e Chico. Técnico: Flávio Costa.

Espanha: Antonio Ramallets; Gabriel Alonso e Juan Gonzalvo II; Mariano Gonzalvo III, Jose Parra e Antonio Puchades; Estanislao Basora, Silvestre Igoa, Zarra, Jose Panizo e Gainza. Técnico: Guillermo Eizaguirre.

Gols: Ademir (15 do 1º tempo), Jair (22 do 1º tempo), Chico (31 do 1º tempo); Chico (10 do 2º tempo), Ademir (12 do 2º tempo), Zizinho (22 do 2º tempo) e Silvestre Igoa (26 do 2º tempo).

Advertência: Bigode.

http://www.youtube.com/watch?v=esy9N7dNTeU

sábado, 15 de junho de 2013

Hoje, durante a cerimônia de abertura da Copa das Confederações, a presidente Dilma Rousseff foi vaiada .


Acabará se transformando em moda coletiva nacional vaiar a Presidente Dilma. Quem não vaiar, estará por fora. Agora, em qualquer lugar público que ela aparecer, certamente será acompanhada por um rastro de sonoros apupos.
Logicamente, os motivos para vaiá-la são inúmeros, mas tem gente que vaia por vaiar. Raimundo da Silva, funcionário público em Brasília, diz que vaia porque todo mundo vaia. Acho até que, quando ela estiver no carro oficial da Presidência da República, indo de casa ao Palácio (se é que ela se locomove desta forma) quando o motorista parar num sinal, deverá ouvir logo aquele "uuuuuuuuuuuuuuuuuu" dos outros motoristas,  ao reconhecê-la e que também pararam no sinal vermelho.
Daqui a pouco a Secretaria de Turismo de Brasília usará um novo slogan para atrair visitantes: "Vá à Brasília vaiar a Dilma."
Vejo o dia em que Vossa Excelência convidará, por exemplo, o presidente do Paraguai Federico Franco para uma visita em Brasília e ele aceitaria na seguinte condição, respondendo em portunhol: "Sólo si me permites vaiarte durante 10 minutos."
A situação se tornará tão complicada que antevejo a petista ser obrigada a consultar um otorrino:
- Doutor... - disse a Dilma - eu passo 24 horas por dia com um "uuuuuuuu" interminável nos meus ouvidos.
O médico, examinando os ouvidos presidenciais, não constataria nada de anormal.
- Presidente - pergunta o médico - aqui dentro Sua Excelência também ouve esse "uuuuuuuu"?
Dilma, apurando os ouvidos, responderia:
- Sim, doutor, aqui dentro também ouço o "uuuuuuuu".......
O otorrino, não vendo muito o que fazer, receitaria um remédio e pediria que ela o procurasse em um mês caso o sintoma não passasse. A presidente agradeceria e se despediria.
Quando ela deixasse o consultório a atendente, muito sem graça, sairia de trás da cortina e falaria, envergonhada:
- Desculpe-me, doutor, mas eu também não resisti à tentação de vaiar a Dilma.....

quarta-feira, 1 de maio de 2013

TRABALHADOR BRASILEIRO - O QUE TEM A COMEMORAR?

Hoje, em caráter nacional, comemora-se o Dia do Trabalhador.
Mas o quê eles têm a comemorar? 
O professor, responsável pela formação da imensa porcentagem de trabalhadores, ganhando salário baixo, tendo o mesmo defasado, sendo insultado por marginais disfarçados de alunos dentro de sala de aula, enfrentando as péssimas condições de trabalho, precisando ter cinco ou mais empregos para poder se sustentar, chegando em casa horas antes de ter que sair novamente para lecionar.... qual é o motivo que ele tem para comemorar?
E o policial que se recusa a se corromper, que lida com a violência urbana do dia-a-dia, cujos mulher e filhos o vêem sair de casa mas nunca têm a certeza de que ele voltará vivo?
E o gari, que tem a função de limpar a sujeira das nossas ruas, muitas delas jogadas no chão por gente sem educação, arriscando-se a contrair vários tipos de doenças pelo contato com os dejetos, considerado um pária ou uma sombra da sociedade, jamais recebendo um bom dia ou um agradecimento de algum cidadão, cujo salário é mais insalubre do que sua própria função, mas que continua exercendo sua inestimável contribuição à sociedade, trabalhando de cabeça baixa, praticamente invisível aos olhos dos cidadãos, e a alguns que os vêem como o próprio lixo!
E o aposentado, que trabalhou a vida inteira e hoje em dia não tem direito a nada, cujos vencimentos mal dá para comprar seus remédios?
Profissionais assim, revoltantemente desvalorizados pelo governo brasileiro, que prefere gastar bilhões com deputados, vereadores e afins que não fazem ABSOLUTAMENTE NADA para o desenvolvimento do país - pelo contrário, ainda tiram dinheiro dessa gente toda que já citei -, o que eles têm a comemorar? Você pode me responder?