segunda-feira, 26 de março de 2012

KLEBER, DO GRÊMIO, PODE FICAR 5 MESES PARADO POR DESLEALDADE DE ZAGUEIRO

O atacante do Grêmio Kleber, conhecido como "Gladiador", teve seu tornozelo fraturado devido a uma entrada desleal do zagueiro cruzeirense Léo Carioca nos primeiros minutos do segundo tempo da partida entre Grêmio e Cruzeiro-RS válida pelo Gauchão.
O tricolor gaúcho poderá ficar sem seu atacante principal, cujo passe certamente não custou barato para o clube, por cerca de cinco meses. Prejuízo para o clube e para o jogador, que não sabe como se comportará fisicamente e/ou psicologicamente após a longa recuperação prevista.
Não se justifica lesionar um companheiro de profissão desta forma. Se o objetivo era impedir o atacante de progredir com a jogada, que o fizesse com menos deslealdade. O atleta depende de seu físico, numa porcentagem próxima a 100%, para exercer seu trabalho, e agora Kleber ficará praticamente o restante do ano de 2012 sem poder fazê-lo e sem saber se, ao se recuperar da grave lesão, as possíveis sequelas existirão e se ele terá o direito de praticar o esporte, que é o seu prazer e seu ganha-pão, em sua total plenitude.
Kleber vivia um excelente momento na carreira. Tornou-se mais disciplinado e também uma peça muito importante na equipe. Apesar do curto tempo no Grêmio, fizera gols importantes e conquistara a torcida com seu espírito guerreiro.
O que o violento zagueiro fez foi simplesmente tirar esse direito de Kleber. A CBF precisa tomar atitudes mais radicais que coíbam o antijogo, como por exemplo, deixar Léo Carioca na "geladeira" durante o mesmo tempo que o Gladiador precisar para se recuperar. Seguramente punições como esta poderão ajudar a amenizar ou extirpar de vez o jogo violento e desleal que corre pelos gramados brasileiros, correndo o risco até de findar a carreira de um atleta. O Grêmio, clube dono do passe do jogador, poderia dar esse pontapé inicial arrebanhando os clubes co-irmãos num abaixo assinado com o intuito de criar essa punição e dirigi-lo à entidade máxima do futebol brasileiro.
Não é justo Kleber ficar sem atuar durante um período extenso devido à atrocidade do medíocre Léo Carioca, enquanto este, mesmo que recebesse o cartão vermelho, ficaria suspenso por apenas uma única partida! E não livrem a cara do juiz Leandro Vuaden, que não teve pulso para impedir a violência no gramado no Estádio do Vale.

Em tempo: o juiz apresentou o cartão amarelo ao desleal jogador do Cruzeiro como punição por esta jogada. Num lance posterior, foi expulso por reclamação. Muito pouco!

Enquanto Kleber se convalesce, convoco todo o Brasil para torcer e rezar para a recuperação desse talentoso atleta, que está mais focado na carreira e provou que está mudado: não é mais o criador de casos dos clubes anteriores e mereceu a chance do Grêmio, que acredita em seu potencial. Que o Gladiador ainda possa dar muitas alegrias ao tricolor gaúcho e sua fantástica torcida!

185 ANOS DA MORTE DE LUDWIG VAN BEETHOVEN

Comemoramos hoje o aniversário da morte de Ludwig van Beethoven (16 de dezembro de 1770, Bonn, Alemanha — Viena, 26 de março de 1827) considerado um dos mais influentes e respeitados compositores clássicos de todos os tempos.

Acreditem que jamais fora um estudioso profundo da música, assim como outro virtuose musical de estilo e época completamente diferentes, o guitarrista norteamericano Jimi Hendrix. Os talentos indiscutíveis de ambos superaram a ausência da teoria.
Com 21 anos de idade, muda-se para Viena onde, afora algumas viagens, permanecerá para o resto da vida. Poucos anos depois sua surdez começara a se manifestar. Ao ver a doença se agravar, mesmo após ter consultado os melhores especialistas da época - em vão - entrou em depressão, pensando até em se suicidar.

LEGADO DE SUAS OBRAS
A Sinfonia Nº 5 , Opus 67 foi composta entre 1804 e 1808. Desde a sua estréia no Theater An Der Wien, em Viena, em 22 de dezembro de 1808, a obra adquiriu uma reputação notória, que continua ainda hoje.

Aos 46 anos de idade estava praticamente surdo. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Beethoven jamais perdeu a audição por completo.

A sinfonia nº 9 em ré menor, op. 125, "Coral", é a última sinfonia completa composta por Ludwig van Beethoven. Completada em 1824, a sinfonia coral, mais conhecida como Nona Sinfonia, é uma das obras mais conhecidas, considerada tanto ícone quanto predecessora da música romântica, e uma das grandes obras-primas de Beethoven. Na verdade, esta é uma das composições mais populares e mais conhecidas da música clássica, e uma das mais executadas do autor, bem como "Sonata ao Luar".


MORTE
Há controvérsias sobre a causa da morte de Beethoven, sendo citados: cirrose alcoólica, sífilis, hepatite infecciosa, envenenamento, sarcoidose e doença de Whipple. Amigos e visitantes, antes e após a sua morte, haviam cortado cachos de seus cabelos, alguns dos quais foram preservados e submetidos a análises adicionais, assim como fragmentos do crânio removido durante a exumação em 1862. Algumas dessas análises têm levado a afirmações controversas de que Beethoven foi acidentalmente levado à morte por envenenamento devido a doses excessivas de chumbo à base de tratamentos administrados sob as instruções do seu médico.

O que importa mesmo é que a música desse gênio continua viva.

FILME
O Segredo de Beethoven, de 2006, com o ator Ed Harris no papel principal, é um filme que retrata o último ano de vida do grande compositor.

CURIOSIDADES:










- Schroeder é um do personagem dos Peanuts, de Charles Schulz, que se caracteriza pelo precoce talento em tocar piano, bem como pelo seu amor à música clássica e ao compositor Ludwig van Beethoven em particular;





















- Roll Over Beethoven é o título de um rock de Chuck Berry, também gravado pelas bandas "The Beatles" e "The Rolling Stones".

"You know my temperature's risin'
and the jukebox's blowin' a fuse
My heart's beatin' rhythm
and my soul keeps singing the blues
Roll over Beethoven
and tell Tchaikovsky the news"

Tradução:

"Você sabe que minha temperatura está subindo
O jukebox está queimando um fusível
Meu coração está batendo no ritmo
E minha alma fica cantando blues
Rala Beethoven
conta as novidades para o Tchaikovsky"

- Beethoven, O Magnífico é um filme estadunidense de 1992 que conta a história de uma família que, ao conseguir um cachorro de estimação da raça São-bernardo, se mete em grandes confusões.

- O Sistema Operacional Windows XP, da Microsoft Corporation, lançado no segundo semestre de 2001, disponibilizou uma parte da Nona Sinfonia de Beethoven como "arquivo sample de mídia".

- Numa cena do filme "HELP!" dos Beatles, de 1965, ao ser ameaçado por um tigre que fugiu de um circo, é sugerido ao baterista Ringo Star que execute a Nona Sinfonia de Beethoven para acalmar a fera. Na mesma hilariante cena, enquanto todos ao redor cantam a parte do coral, John Lennon faz o acompanhamento da música tocando gaita.

- Como muitos gênios da cultura, o compositor tinha suas manias e excentricidades. Uma delas, era jogar água fria na cabeça enquanto compunha. Segundo o compositor, não existia nada melhor para estimular a criatividade do que uma boa dose de água gelada.

- Beethoven era canhoto.


Este blog tem o privilégio de homenagear o grande Beethoven postando um vídeo do trecho de seu filme biográfico, no qual executa a belíssima Nona Sinfonia.

domingo, 25 de março de 2012

Vasco e Fluminense homenageiam Chico Anysio


Aplaudo a homenagem do Vasco da Gama ao ilustre torcedor, que infelizmente deixou nosso convívio na terra esta semana. Além de ter enviado uma linda coroa de flores ao Teatro Municipal, o clube da colina estampou os nomes de alguns dos personagens criados por Chico Anysio nas camisas que serão usadas no jogo desta tarde contra o Resende, pela 5ª rodada do Campeonato Carioca.
O meio-de-campo Juninho Pernambucano, por exemplo, teve na sua camisa o nome da personagem "Professor Raimundo". Tudo a ver com ele, que sabe tudo de bola e é um mestre do assunto.
Só não tenho certeza do critério da escolha, se foi o desejo de cada jogador, ou se foi aleatório, mas que a personagem do "Professor Raimundo" se encaixou perfeitamente com Juninho, isso é verdade.
Ontem, os jogadores do Fluminense também homenagearam o humorista ao comemorarem seus gols na vitória contra o Bonsucesso. Liderados pelo artilheiro Fred, fizeram um dos gestos mais comuns do Professor Raimundo: o dos dois dedos significando a pequenez de um salário (não os deles, mas dos professores atuais do nosso Brasil).

Daqui faço um outro gesto, não demonstrando a pequenez, mas abrindo os braços ao máximo, e da distância da mão direita à esquerda eu digo: "E a saudade, ó...."

Documentário "Raul - o Início, o Fim e o Meio"


Pra quem gosta de Raulzito Seixas, um programão hoje. Estréia do documentário "Raul - o Início, o Fim e o Meio", sobre Raul Seixas, um dos mais libertários intérpretes da música brasileira.
A obra já ganhou o Prêmio Itamaraty de melhor documentário brasileiro da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo no ano passado.

De Walter Carvalho. Com Raul Seixas (claro), Paulo Coelho e Pedro Bial.
130 min - 10 anos

CINE ODEON
Pça. Floriano, 7 , Cinelândia, Rio de Janeiro - RJ
Tel: (21) 2240 1093
Horários: 13h30, 16h, 18h30, 21h

A propósito, o CINE ODEON possui uma sala de 600 lugares, uma livraria e um bistrô "Ateliê Culinário" e hoje um dos mais frequentados restaurantes do centro. Foi eleito pela revista Veja como sala de melhor programação em 2005. Foi o último dos grandes cinemas construídos na Cinelândia, em 1932.

ELTON JOHN, HAPPY BIRTHDAY TO YOU!


Segue minha homenagem a Sir Elton John, que hoje comemora 65 anos de idade, com a bela canção "Benny and The Jets".
Reginald Kenneth Dwight nasceu na cidade de Londres, Inglaterra, no dia 25 de março de 1947. Elton John começou a tocar piano com 3 anos de idade. Aos 11 anos conseguiu uma bolsa de estudos para a Royal Academy of Music, até hoje uma das instituições musicais mais respeitadas do Reino Unido.
Seu nome artístico advém de dois integrantes de sua antiga banda, Bluesology - Elton Dean (saxofonista) e Long John Baldry (líder da banda).
Em 2008, Elton John foi escolhido pela Billboard como o cantor solo de maior sucesso da história.
Elton É o único artista que até hoje conseguiu obter seis lançamentos consecutivos no primeiro lugar da Billboard, sendo detentor, ademais, do recorde de single de maior vendagem da história, com a adaptação feita em 1997 da canção Candle in the Wind em homenagem à amiga pessoal, Princesa Diana, totalizando um total de quarenta milhões de cópias vendidas.

sábado, 24 de março de 2012

HOJE DIZEMOS ADEUS A CHICO ANYSIO


Quando me aproximei do majestoso Teatro Municipal para dar meu adeus particular ao homem que tanto me fez rir com seus programas e livros, um segurança pediu gentilmente que eu guardasse meu celular quando estava para entrar. Simplesmente obedeci mecanicamente. Mas eu não teria me atrevido a clicar o corpo do mestre do humor... pensei que seria falta de respeito e logo lembrei daqueles que passaram pelo cadáver do Papa João Paulo II no dia 2 de abril de 2005 no Vaticano e fotografaram-no. Achei desrespeitoso. É preferível guardar uma lembrança viva de pessoas como eles.
Mas registrei o carinho das pessoas em flores depositadas nas escadas do Municipal. O carinho é o que importa.
Mas ele não parecia estar morto. Parecia apenas dormir profundamente, com sua esposa na cabeceira de seu caixão. Aliviado depois de tanto sofrimento, e um certo ar de pena... pena por ter morrido. Exatamente, ele disse numa das últimas entrevistas que não sentia medo de morrer, e sim pena disto.
Ele pode ter a certeza de que os penalizados com sua morte agora seremos nós.
O Professor Raimundo é aguardado para sua Escolinha, agora no céu, por Joselino Barbacena, Sandoval Quaresma, Eustáquio, Bertoldo Brecha, Galeão Cumbica, Rolando Lero, Seu Mazarito, Gaudêncio e Dona Escolástica.
Chico Anysio morto? É mentira, Terta?
Infelizmente, ela teria dito: "Verdade..." muito tristemente.
Viaje em paz, amado mestre!

sexta-feira, 23 de março de 2012

CHICO ANYSIO - O HUMOR ESTÁ DE LUTO


Este blog presta sua homenagem ao melhor e mais completo humorista brasileiro de todos os tempos.
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, cearense de Maranguape, faleceu hoje, no Rio de Janeiro, de falência múlltipla de órgãos.
Muito já se falou sobre a carreira de Chico Anysio. Foi locutor, comentarista esportivo, apresentador, compositor, ator de cinema, tv e de rádio, enfim, criador de mais de 150 personagens, criou vários programas na Rede Globo e trabalhou até o fim de sua criativa vida.
Seu personagem mais famoso foi o Professor Raimundo, personagem principal do programa Escolinha do Professor Raimundo, do qual faziam parte, além de Chico, diversos humoristas consagrados.
Até tema de escola de samba ele foi. A Unidos do Anil, do Rio de Janeiro, criou o enredo "CHICO TOTAL! SOU ANIL E FAÇO CARNAVAL".
Suba em paz, mestre do humor.

Nunca Houve Um Homem Como Heleno 2ª Edição do livro

Alguns craques do passado tendem a cair no ostracismo, mas Heleno de Freitas (1920-1959) é uma exceção, pois como o próprio título do livro sugere, "Nunca Houve Um Homem Como Heleno".
A obra, de autoria de Marcos Eduardo Neves, teve a primeira edição lançada em 2006, mas está sendo relançada agora, e narra a trajetória de um ídolo dramático e elegante, o primeiro "bad boy" do futebol, não só brasileiro, como mundial. Mas também é possível sentir o cheiro da maresia copacabanense e do perfume das moças da época, ouvir o barulho dos cassinos da Urca e da Avenida Atlântica e também do Repórter Esso na Rádio Nacional pela narrativa descomplicada e cativante do autor, e até mesmo os berros de um Heleno desesperado em busca da perfeição, enlouquecendo até a alma por não ter sua categoria de jogador correspondida à altura pelos demais companheiros do Botafogo, clube de seu coração e que defendeu na maior parte de sua carreira.
Heleno de Freitas, mineiro por nascimento e carioca por encantamento, foi um craque de futebol dos tempos em que a televisão começaria a engatinhar no Brasil, tendo praticamente apenas um rápido registro em vídeo, de um gol seu de cabeça. Nos anos 40 fazia a diferença dentre os demais colegas da profissão: elegantíssimo, culto, de família rica, formado em Direito, dentro de campo arrasava os adversários com futebol de alto nível. Fora dele, arrasava os corações das mulheres com seu charme e beleza
física. Infelizmente, a vida desregrada cobrou-lhe a conta aos 39 anos, morrendo num sanatório em Barbacena, MG. Numa vida com tantos arrasos, seus nervos também já estavam minados devido a uma sífilis que afetou-lhe o cérebro.
Mas como toda personagem interessante, esta torna-se imortal, mas sempre é necessário haver um resgate e este se fez no honesto mas hercúleo trabalho de pesquisa feitos pelo autor, cuja dedicação ao projeto nos faz pensar que conseguira entrar na conturbada mente do craque.

Mas o resgate não finda no livro. Baseado na obra literária, foi produzido o filme "Heleno - o Príncipe Maldido", de José Henrique Fonseca, com Rodrigo Santoro no papel principal.
Livro e filme. Ambos os dois imperdíveis.


FICHA DO LIVRO:
Título: Nunca Houve Um Homem Como Heleno
Editora Zahar
360 páginas
Autor: Marcos Eduardo Neves
Preço: R$ 33,00 na Livraria da Travessa








Na foto: Marcos Eduardo Neves, à esquerda, autor do livro e à direita o autor deste blog.

quinta-feira, 22 de março de 2012

O BIÓGRAFO E O BIOGRAFADO

Depois do coquetel na livraria, ele finalmente se dirigiu para o aconchego do lar. Tapinhas amigáveis nas costas, apertos de mão, dedicatórias, fotos, entrevistas... ufa! O dia terminou! Mas foi mais um dia produtivo, alavanca na carreira de escritor, motivação para futuras obras.
O sucesso com as edições de um livro biográfico sobre um jogador de futebol dos anos 40 deu muito pano para manga. O detalhe é que o craque biografado fora extremamente temperamental, polêmico, contestador e contestado, apesar de ter se destacado pela intimidade que tinha com a bola e a figura interessantíssima fora dos gramados. Biografar uma personalidade assim não é para qualquer pessoa. Mas o escritor não era qualquer pessoa, simplesmente não estava preparado para o que aconteceria exatamente naquela noite.
Depois do chuveiro e do lanche, não resistiu. Foi ao computador checar a repercussão do evento na Internet e ler as mensagens de congratulações. Mas, esgotado, terminou por cochilar na cadeira do escritório.
Ao fechar os olhos, ouve uma voz:
-"Belo trabalho, escritor!"
Assustou-se, pensando haver alguém perto. Não havia! Olhou freneticamente em volta e nada. A voz manifestou-se novamente:
-"Eu estava mesmo precisando dessa massagem no meu ego. Achei que as pessoas tinham me colocado definitivamente no ostracismo, mas graças a você voltei a ser o centro das atenções, algo que sempre agradou-me , confesso. Mas você sabe disso, não?"
O escritor, ainda um pouco assustado, identificou a direção da voz e viu o craque materializado, sentado numa poltrona, usando terno, pernas elegantemente cruzadas e sorriso nos lábios. Jamais um espírito havia se manifestado tão contundentemente em sua vida, mas havia um motivo para isso.
-"Não acredito no que estou vendo!" disse o escritor.
-"Pois acredite, meu caro." Respondeu o biografado. "O pouco tempo que passei aqui na terra deve ter sido extremamente significativo a ponto de merecer uma biografia! E olhe que minha passagem deu-se em menos de 40 anos!"
-"Perfeito... pessoas fazem aniversário aos 100 anos, embora isto não signifique viver todo esse tempo." Respondeu o escritor, já refeito do susto e achando normal a surreal conversa.
"Sem dúvida! Tu me conheces bem e sabes que não encaixo-me nesta categoria. Deliciei-me em cada segundo de minha vida e deliciei também as pessoas com meu futebol e minha personalidade. Na realidade, gostaria de ter vivido mais um pouco, atuado em mais partidas, amado mais mulheres..."
-"Não viveste o suficiente?" Indagou o escritor.
-"A resposta está nas mãos de Deus, então creio que sim. A propósito, gostaria de fazer-me alguma pergunta?"
-"Acho que aproveitarei sua visita. Alguma coisa no livro te aborreceu?"
-"Qual nada! Você é uma exceção nos biógrafos! Jamais me materializaria para você de um modo amigável como estou fazendo no momento se fosse de outra forma. Fizeste um trabalho exemplar e bebeste nas fontes certas. Transformaste-me literalmente em páginas! Vim aqui apenas dar-te meus parabéns, escritor!"
-"Estou maravilhado com esse momento! Daqui a alguns dias será lançado também seu filme."
-"Sim, estou ciente. Sempre adorei cinema, e até achava que poderia ser tema de um filme, um dia. Conheces Gilda, com Rita Hayword? Um dos meus prediletos!" Disse o craque, rindo. Fez o escritor relaxar e sorrir também:
-"Esse filme é a sua cara! Inclusive tenho guardado aqui em meu computador."
Ao desviar o olhar para a tela, de repente falta luz na casa do escritor. Apenas por 9 segundos, o suficiente para a despedida súbita do craque. E para a conclusão do escritor, num tom de satisfação:
-"Definitivamente, missão cumprida."
E com a volta da luz e a falta de sono, chega para o escritor motivação para uma futura obra. A transcedental visita do craque lhe inspirara. Os escritores são assim. Não há sono que lhes tire a sede da sopa de letras.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

FELIZ ANO NOVO!


Sim... quase todos dizem "No Brasil, o ano só começa depois do Carnaval". Então faz sentido desejar hoje, "primeiro dia útil do ano", um Feliz 2012.
Na verdade, não gosto muito dessa expressão "dia útil"... parece até que os fins de semana e feriado são "dias inúteis". Claro que não são, tanto que eles servem para que nos reestabeleçamos dos árduos dias de trabalho, de estudo e da busca constante por trabalho - para os que estão sem ele, de modo fixo.
Mas quem inventou a tal frase "No Brasil, o ano só começa depois do Carnaval", está redondamente enganado. O povo brasileiro é um povo lutador, trabalhador, e antes, durante e depois do Carnaval poucos deixam de trabalhar, essa é a verdade. Seguimos rigorosamente nosso calendário todos os anos. Mas o lamentável é que muitas pessoas aproveitam essa frase para só começar a produzir realmente após o Carnaval. Acabam por produzir muito pouco durante o ano inteiro, devido à grande disposição... piada, né?
Piada sim... de acordo com a nossa cultura, os jargões rolam soltos, e muitos aproveitam "pra levar vantagem em tudo, certo?"
Piada ou não, você já começou aquela dieta? Já correu atrás de emprego? Já pegou seus livros pra estudar? Não se esqueça das suas resoluções de Ano Novo que farão com que você mude sua vida para melhor.
Nunca se deixe alienar nem se contagie pelo micróbrio da preguiça. Tente ficar à frente e começar seu ano realmente no dia 1º de Janeiro. Tome atitudes produtivas e lide com o Carnaval como se fosse simplesmente um recesso, mas não se entregue tanto durante esse recesso. Siga o exemplo de seu coração: ele não para de trabalhar!

O meu receio é que, em 2014 o ano só comece depois da Copa do Mundo, pois vocês sabem em qual país esta será disputada, não?

Bração!!!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Horário de verão termina no país neste domingo

À 0h de domingo, amanhã, dia 26, cidadãos devem atrasar em uma hora os relógios.
Mudança abrangeu regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste, DF e BA.
O horário de verão, que começou em 16 de outubro de 2011, termina neste domingo, dia 26. Por causa da mudança, moradores de estados das seguintes regiões, que terão que atrasar os relógios em uma hora à meia-noite deste sábado:
Sul;
Sudeste;
Centro-Oeste;
Distrito Federal;
Bahia

Assim, o sábado terá uma hora a mais.



A ideia de adiantar os relógios para aproveitar melhor as horas de sol é bem antiga. Foi lançada em 1784 pelo político e inventor estadunidense Benjamin Franklin, numa época em que ainda não existia luz elétrica. Mas sua ideia não sensibilizou nem o governo do seu país, nem o da França, onde foi publicado um artigo seu sobre a possível economia em cera de vela gerada pelo adiantamento do relógio em uma hora no verão.

Mais tarde, em 1907, William Willett, da Sociedade Astronômica Real, tentou persuadir, sem sucesso, a sociedade britânica a adotar a prática.

O primeiro país a adotar oficialmente o horário de verão foi a Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial.




Brasil

Desde o ano de 1985, o Brasil vem alterando seu horário normal com o acréscimo de 01:00 hs. em seu horário padrão.

Críticos do horário de verão alegam que a medida afeta o chamado relógio biológico das pessoas, principalmente das mais velhas, com prejuízos à saúde.

Próximo horário de verão este ano

O próximo horário brasileiro de verão começará Domingo, 21 de Outubro de 2012, e terminará no Domingo, 17 de Fevereiro de 2013.

Que todos continuem se adaptando e que a medida continue trazendo benefícios econômicos para todos.
Até... Bração!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

HAPPY BIRTHDAY, GEORGE HARRISON!


George Harrison faria hoje 69 anos. Assim como John, Paul e Ringo, George nasceu em Liverpool, na Inglaterra, em 24 de fevereiro de 1943 (muitos pensam que foi dia 25, porém, em uma entrevista concedida em 1992, Harrison revelou que nasceu 10 minutos antes do dia 25), então celebremos hoje o aniversário de George.
No dia em que ele faleceu, escrevi uma nota para o site oficial dos Beatles no Brasil (www.thebeatles.com.br), mas como foi em novembro de 2001, já saiu do ar. Só que eu não poderia deixar de salvar essa crônica, uma pequena homenagem para um grande músico.
Ei-la na íntegra.

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E agora, quem vai tocar a guitarra?

Sempre achei que os Beatles fossem imortais, ainda que se falasse de matéria, e mesmo depois que nunca mais se viu John Lennon. E de repente ouço no rádio, de manhã, uma voz informando sobre a morte de George Harrison.
E agora? O que será de Paul e Ringo? Quem é que vai tocar a guitarra? Será que George sabe tocar harpa celestial? Sim, pois de repente São Pedro pode fazer como John fez na época em que pensava se o admitia ou não no grupo "- Só entra depois que mostrar que sabe tocar, Harrison."
Mas ele sempre tocou e amou a guitarra, e parece que ela ficou viúva de mais um de seus dedicados amantes. E eu que pensei que o Maracanã continuava ali, imenso – não tanto quanto eles – à espera dos rapazes de Liverpool para um concerto que eu jamais deixaria de ir; John Lennon presente em alma... os melhores do mundo no maior do mundo pela primeira vez (olha só, tinha até slogan!!!)

... mas quem é que vai tocar a guitarra??

Não!!! Recuso-me a desabafar com alguém que, como eu, ama os Beatles e os Rolling Stones que George se foi!!! Recuso-me a acreditar naquele rádio mentiroso, e acho que nunca mais vou ligá-lo! Nem que eu leia todos os jornais possíveis e ligue todos os canais da TV, vou acreditar nisso!!!
Será que ele e John vão fazer alguma jam-session em outra dimensão? Acho que Deus até tem o direito de levar pra mais perto Dele as duas guitarras: a mais poética e a mais mística de todos os tempos, mas bem que poderia esperar mais um pouquinho. Eu e você ainda não os vimos tocar ao vivo, né?

Será que nunca mais poderei ter aquele autógrafo que mereceria até moldura na parede do meu quarto? Não, o sonho não pode acabar pela terceira vez.


Mas, que estranho...! De repente me veio um saudosismo...! Não sei por que, mas deu uma vontade de ver aquele filme em preto e branco no qual os Beatles fogem o tempo todo das fãs...! Também não sei por que me deu uma vontade tão grande de ouvir aquela música que George canta que Deus é doce....!

My sweet George...

HAPPY BIRTHDAY, GEORGE HARRISON!

George Harrison faria hoje 69 anos. Assim como John, Paul e Ringo, George nasceu em Liverpool, na Inglaterra, em 24 de fevereiro de 1943 (muitos pensam que foi dia 25, porém, em uma entrevista concedida em 1992, Harrison revelou que nasceu 10 minutos antes do dia 25), então celebremos hoje o aniversário de George.
No dia em que ele faleceu, escrevi uma nota para o site oficial dos Beatles no Brasil (www.thebeatles.com.br), mas como foi em novembro de 2001 já saiu do ar. Só que eu não poderia deixar de salvar essa crônica, uma pequena homenagem para um grande músico.
Ei-la na íntegra.

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E agora, quem vai tocar a guitarra?

Sempre achei que os Beatles fossem imortais, ainda que se falasse de matéria, e mesmo depois que nunca mais se viu John Lennon. E de repente ouço no rádio, de manhã, uma voz informando sobre a morte de George Harrison.
E agora? O que será de Paul e Ringo? Quem é que vai tocar a guitarra? Será que George sabe tocar harpa celestial? Sim, pois de repente São Pedro pode fazer como John fez na época em que pensava se o admitia ou não no grupo "- Só entra depois que mostrar que sabe tocar, Harrison."
Mas ele sempre tocou e amou a guitarra, e parece que ela ficou viúva de mais um de seus dedicados amantes. E eu que pensei que o Maracanã continuava ali, imenso – não tanto quanto eles – à espera dos rapazes de Liverpool para um concerto que eu jamais deixaria de ir; John Lennon presente em alma... os melhores do mundo no maior do mundo pela primeira vez (olha só, tinha até slogan!!!)

... mas quem é que vai tocar a guitarra??

Não!!! Recuso-me a desabafar com alguém que, como eu, ama os Beatles e os Rolling Stones que George se foi!!! Recuso-me a acreditar naquele rádio mentiroso, e acho que nunca mais vou ligá-lo! Nem que eu leia todos os jornais possíveis e ligue todos os canais da TV, vou acreditar nisso!!!
Será que ele e John vão fazer alguma jam-session em outra dimensão? Acho que Deus até tem o direito de levar pra mais perto Dele as duas guitarras: a mais poética e a mais mística de todos os tempos, mas bem que poderia esperar mais um pouquinho. Eu e você ainda não os vimos tocar ao vivo, né?
Será que nunca mais poderei ter aquele autógrafo que mereceria até moldura na parede do meu quarto? Não, o sonho não pode acabar pela terceira vez.

Mas, que estranho...! De repente me veio um saudosismo...! Não sei por que, mas deu uma vontade de ver aquele filme em preto e branco no qual os Beatles fogem o tempo todo das fãs...! Também não sei por que me deu uma vontade tão grande de ouvir aquela música que George canta que Deus é doce....!

My sweet George...

POEMA "Saudades com Amor"

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Unidos da Tijuca é a campeã!!!!!!


Parabéns para a Escola de Samba Unidos da Tijuca! A agremiação do Morro do Borel é a campeã do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro 2012!

A Escola da Tijuca foi muito feliz em ter escolhido como enredo o Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Homenagem que demorou, mas chegou para um ícone de nossa MPB!
É o terceiro campeonato da Unidos da Tijuca no Grupo Especial. Seu primeiro título veio em 1936, e depois em 2010. No ano passado, ficou em 2º com a homenagem a Zé do Caixão em "Esta Noite Levarei Sua Alma".
Aliás os temas nordestinos sempre foram os preferidos das escolas cariocas, e muitas delas foram campeões graças ao Nordeste do nosso Brasil, região rica em histórias e belezas.
Mas achei uma grande injustiça com a Portela, que fez um desfile maravilhoso. E outra grande vítima dos jurados incompetentes foi a Verde e Rosa... só aquela inovação com a Mangueira dando "stop" na sua bateria, aumentando o silêncio e fazendo o povo cantar sozinho, já valia pelo menos lugar no desfile das campeãs.


Veja a colocação do GRUPO A

Unidos da Tijuca
Salgueiro
Vila Isabel
Beija-Flor
Grande Rio
Portela
Mangueira
União da Ilha
Mocidade Independente
10º Imperatriz Leopoldinense
11º São Clemente
12º Porto da Pedra
13º Renascer de Jacarepaguá



Quanto ao grupo de Acesso, estão na disputa para subir pro A a Caprichosos de Pilares e a Império Serrano, já que Porto da Pedra e Renascer de Jacarepaguá desceram.




Obs. : Todo ano, os vencedores do Grupo Especial do carnaval têm a chance de desfilarem mais uma vez na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro.

Confira a ordem dos que saem mais uma vez pela avenida carioca:

21h00: 6° lugar - Portela
22h05: 5° lugar - Salgueiro
23h10: 4° lugar - Beija-Flor
00h15: 3° lugar - Vila Isabel
01h20: 2° lugar - Salgueiro
02h25: Campeã do Carnaval de 2012 - Unidos da Tijuca

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sambas-Enredo que não saem da boca do povo



Com tantos desfiles de escolas de samba realizados até hoje, acho incrível que nos últimos quase 20 anos não ouvi um samba-enredo cujo refrão ficasse eternizado na cabeça do povo. O último foi, sem sombra de dúvida, o emblemático

"Explode Coração! / Na maior Felicidade! / É lindo meu Salgueiro! / Contagiando e sacudindo essa Cidade"

da Acadêmicos do Salgueiro em 1993, campeã com justiça nesse ano. Depois, nenhum! Que pena... será que os compositores perderam o viço?

A própria Acadêmicos do Salgueiro tem um até hoje cantado e executado até a exaustão em bailes de carnaval: "Festa para um rei negro - Ô lelê, ô lalá, pega no ganzê, pega no ganzá" de 1971, ano no qual a escola vermelha e branca também levantou o campeonato.

E muito mais outros de muito mais escolas, inclusive a esquecida Em Cima da Hora dos mesmos azul e branco portelenses, sediada no subúrbio carioca de Cavalcante. Hoje em dia a "Em Cima" está no Grupo C, após dois anos no D. Mas quem não lembra do belíssimo samba "Os Sertões" de 1976, considerado por especialistas um dos mais bonitos de todos os carnavais?



"Marcado pela própria natureza
O Nordeste do meu Brasil,
Oh! solitário sertão
De sofrimento e solidão
a terra é seca
mal se pode cultivar
morrem as plantas
e foge o ar
a vida é triste
nesse lugar

Sertanejo é forte
supera a miséria sem fim
Sertanejo, homem forte
dizia o poeta assim"






Os sambas dos anos 60 começavam a se destacar como inesquecíveis, como do Império Serrano em 1964, com Aquarela do Brasil (vejam, essa maravilha de cenário...), mas as décadas de 70 e 80 foram as mais criativas em termos de composições de sambas-enredo, daqueles mesmo que citei anteriormente que jamais saíram da boca do povo. Vamos a alguns deles:

- Acadêmicos do Salgueiro, 1972 - Minha Madrinha, Mangueira Querida (ôôô, ó meu senhor... tengo, tengo, Santo Antônio chalé / minha gente é muito samba no pé);

- Beija-Flor, 1983 - A constelação das estrelas negras (Piná, êêê, Piná, a cinderela negra...)

- Beija-Flor, 1978 - A Criação do Mundo Na Tradição Nagô (Ierêrê, Ierê, Ierê, ôôôô)

- Beija-Flor, 1976 - Sonhar com rei dá leão (Sonhar com filharada, é um coelhinho / com gente teimosa, na cabeça dá burrinho...)

- Beija-flor, 1977 - Vovó e o Rei da Saturnália na Corte Egipciana (não chore não, vovó, não chore não)

- Imperatriz Leopoldinense, 1981 - O Teu Cabelo Não Nega (Só Dá Lalá) (Neste palco iluminado só dá Lalá, és presente imortal)

- Império Serrano, 1972 - Alô Alô Taí Carmen Miranda (cai, cai, cai, cai, quem mandou se levantar)

- Império Serrano, 1982 - Bum bum Paticumbum Prugurundum (o nosso samba, minha gente, é isso aí... contagiando a Marquês de Sapucaí)

- Mangueira, 1976 - No Reino da Mãe do Ouro (ôbabá, ola ôbabá, é a mãe do ouro que vem nos salvar)

- Mangueira, 1984 - Yes, Nós Temos Braguinha (é no balancê, balançá, que eu quero ver balançar, é no balanço que a Mangueira vai passar)

- Mangueira, 1983 - Verde que te quero rosa...semente viva do samba (Mangueira é, um canto de fé, que leva o samba na poeira e no pé)

- Portela, 1979 - Incrível, Fantástico, Extraordinário (ôôôôôôôôôô, alegria já contagiou, a ordem do Rei é brincar quatro dias sem parar)

- Portela, 1981 - Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de Uma Noite (O mar, ôi o mar, por onde andei mareou, mareouuu)

- Portela, 1984 - Contos de Areia (Oke, Oke, Oxóssi, faz nossa gente sambar, Portela é canto no ar)

- Unidos de Vila Isabel, 1980 - Sonho de um Sonho (Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado...)

- União da Ilha do Governador, 1978 - Como será o amanhã (Como será o amanhã, responda quem souber...)

- União da Ilha do Governador, 1980 - Bom, Bonito e Barato (Muito bom, o meu bonito é barato, Da simpatia, o retrato, Do povo no carnaval)

Isso tudo sem contar as versões alternativas que as torcidas dos clubes de futebol faziam para incentivar suas equipes nos estádios, mudando apenas as letras e mantendo a música.


Não consigo colocar MP3 aqui, mas se você for no You Tube achará todos eles na busca. Foi assim que criei o meu "Greatest Hits" particular dos melhores sambas de todos os tempos!
Aproveite e, caso for num baile de carnaval, ou sair em algum bloco - ainda dá tempo - cante junto com o DJ.











Não se esqueça: não beba álcool em excesso, tome só bastante juízo!
Bração!

domingo, 22 de janeiro de 2012

29 ANOS SEM MANÉ GARRINCHA - 20 DE JANEIRO DE 2012





Achei um absurdo a grande mídia não ter lembrado no dia 20 de janeiro, Dia de São Sebastião, padroeiro de diversas cidades no Brasil, entre elas o Rio de Janeiro, da data de 29 anos sem Mané Garrincha. Procurei nos sites, no Google, nos canais de Tv a cabo e aberta e acabei vendo apenas um post no Facebook do meu amigo jornalista, de Petrópolis, Roberto Márcio, vascaíno de coração, lembrando e homenageando esse jogador que deu tantas alegrias a todos os brasileiros, de todos os clubes e também torcedores de todos os países, com uma foto do craque e um poema de Carlos Drummond de Andrade. Mas consegui localizar belas homenagens de torcedores fiéis ao clube e a quem o defendeu com amor, que faço questão de mencionar aqui:

http://www.canalbotafogo.com/forum/topico.php?id=44944

http://blogs.spfc.net/igor-fabuloso/9531

http://www.fogaonet.com/noticia.asp?n=24076&t=video+29+anos+sem+garrincha+o+maior+de+todos+os+tempos

http://sbnoticias.com.br/sbesporte/?p=1072

http://www.mundoglorioso.com.br/

http://www.omelhordefortaleza.net/index.php/category/o-melhor-de-fortaleza/

http://webbgol.blogspot.com/2012/01/mane.html

http://www.literaturanaarquibancada.com/2012/01/mane-e-o-sonho.html

http://www.vidanovafm.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=4065&Itemid=22

Procurei incessantemente... e nada nos grandes veículos de comunicação brasileiros. Nem mesmo o Botafogo, clube no qual Garrincha está tão ligado quanto a própria estrela solitária em seu escudo, manifestou uma linha de pesar. Amigos de verdade se provam nos momentos de dor e de amor. E olha que o Botafogo é um clube-exemplo em homenagear seus craques!
Talvez se Drummond ainda estivesse vivo, quem sabe eu veria uma notinha de pesar vinda do grande poeta...

Deixo aqui minha humilde homenagem postando a entrevista que fiz no além com o Anjo das Pernas Tortas. E que Deus o mantenha num bom lugar.
Quantas saudades, Mané...

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Hoje estive com Mané Garrincha. Mané foi de uma simplicidade tão grande comigo, que jamais pensei que aquele gênio do futebol já estivesse sentado numa mesa me esperando, num bar onde marcamos, que tinha aqueles azulejos azuis e brancos, o chão de mosaico. Mané já estava tomando sua pinga quando cheguei perto dele, me apresentei já apertando sua mão. Eu levei pra ele de presente um embrulho com quase um quilo de mariola, que ele sempre adorou. Mané, de bermudas e chinelos, sorriu e foi logo me oferecendo a mesma bebida, que recusei educadamente. Pedi um refrigerante e me sentei à sua frente, emocionado por tê-lo ali. Éramos dois bons amigos e não era uma entrevista e sim uma conversa informal.


- Garrincha, você jamais curtiu falar de futebol, né? Você preferia jogar, viver o futebol, verdade?
- É mesmo. Sempre tive vergonha desse negócio de ser famoso, porque futebol para mim era bola no meu pé. Quando eu estava em Pau Grande (distrito de Magé-RJ, onde ele nasceu), antes dos clássicos, até provocava algum amigo que fosse flamenguista dizendo "domingo vou acabar com seu time", mas quando ele devolvia a provocação parava por ali mesmo. Então, pra mim, o futebol só existia se eu estivesse dentro das quatro linhas, fosse numa pelada ou num jogo de Copa do Mundo.


- Falando em Copa, em 1950 você lembra que enfrentamos os Uruguaios no jogo final e perdemos no Maracanã, não lembra?
- Lembro sim. Só não me lembrei de ouvir o jogo na época. Era um domingo e eu adorava caçar, pescar, e nesse dia fui pescar. A fábrica tinha colocado uns alto-falantes na praça principal e o povo todo sentado pra ouvir (ergue os olhos como se buscasse as lembranças no céu)... quando voltei da pesca, Pau Grande toda tava chorando, e eu perguntei por quê, e me disseram que o Brasil tinha perdido pro Uruguai. Não dei muita bola e fui pra casa. Eu tinha dezesseis anos de idade.


- Puxa, Mané! Então você foi um dos 18 no Brasil que nem acompanhou esse jogo naquele dia!!!
- É, gente boa, como te falei, futebol só existia pra mim quando eu estava dentro das quatro linhas, de preferência quando a bola estava no meu pé. Meu pai, Amaro, é que gostava de ouvir jogo pelo rádio. Quando comecei a excursionar pelo Botafogo ou pela Seleção trazia sempre um rádio novo pra ele. Ele escutava os meus jogos e quando ouvia o locutor dizer que os zagueiros estavam me dando pontapé ele pegava o punhal e furava o rádio de raiva, ou então quase jogava o rádio no chão, por causa disso que toda viagem que eu fazia tinha que trazer um novo para ele (risos).

- Você torcia pro Flamengo?
- Torcia sim, por causa daquele time que foi campeão em 1939, com Zizinho, Leônidas da Silva, Domingos da Guia... mas dizia que era Flamengo por que todo mundo tinha um time e eu escolhi o Flamengo, mas nunca fui moleque de colecionar figurinha, foto de jogador, mesmo porque em Pau Grande, no meu tempo isso nem existia. Mas quando me perguntavam eu respondia que eu era Flamengo sim.


- O curioso, Garrincha, é que o Flamengo foi o time que você mais derrrotou quando jogava no Botafogo, né?
- É, mas era coincidência ou sorte, porque na verdade eu não ligava muito pra quem a gente fosse enfrentar, se era o Flamengo, o Vasco ou a seleção uruguaia. Não que eu desmerecesse algum time, mas eu queria era jogar. Naquele jogo contra a União Soviética, em 1958, quando estreei na Copa, eu tava era com fome de bola, eu não estava preocupado com aquela onda toda de "futebol científico", queria era jogar. Foi o primeiro jogo do Pelé em Copa do Mundo também.


- Que aconteceu em 1966?
- Ah, eu já não tinha mais o pique de antes, o joelho começava a doer bastante e eu já sentia que era minha última participação em Copas, mesmo porque eu já estaria com 37 anos em 1970 e o Jairzinho, que também esteve em 1966, jovem, estava matando a pau. Consegui fazer aquele gol contra a Bulgária, de falta - Pelé fez o outro na vitória de 2 a 0 - e até acho que tive uma boa participação no jogo, mas eu não era mais o Garrincha de 1962 no Chile. Mas seu Feola fez questão que eu fosse e eu não diria não.


- Você acha que a bebida estava começando a te prejudicar na época?
- Sempre gostei do meu limãozinho, gente boa, pra mim ele sempre me fez bem, uma pinga. Mas o atleta de verdade, como era o Pelé, não bebia nem fumava e eu nunca me considerei assim um atleta, eu era mais um peladeiro mesmo, sabia que era minha profissão, era pago pra entrar em campo, mas tentava esquecer isso e pensava que estava mesmo era num campo de terra, jogando descalço em Pau Grande. Mas eu bebia porque gostava, fumava também, e não digo que era viciado, apenas prazeres simples da vida dos quais não queria me privar. Se me impedissem de beber para ser jogador profissional, eu preferiria jogar minhas peladas em Pau Grande e continuar a ser funcionário da fábrica de tecidos.


- E as mulheres da sua vida, Garrincha? Você teve muitas, não?
- Tive sim, eu sempre gostei muito de sexo com as mulheres e transar era outro grande prazer que eu tive na vida. Depois que fiquei famoso então chovia mulher na minha horta, era a época das vedetes e eu não era bobo de dispensar, tanto que até em véspera de jogo de Copa do Mundo eu transei, mas em campo eu fazia minha obrigação, o que prova que sexo faz muito bem à saúde, e a falta dele é que é prejudicial. Depois que conheci a "Crioula" (modo com que Garrincha chamava a cantora Elza Soares) é que descobri o prazer e o amor com uma mulher apenas. Sinto muitas saudades dela.


- E ela de você, Garrincha, pode estar certo.
- Rapaz, eu errei muito depois que nosso filho nasceu....
- Talvez você tivesse vivo até hoje se tivesse deixado ela cuidar de você...
- Certo, mas aí eu tive uns problemas graves por causa da bebida e tinham que ter umas onze Elzas me marcando em campo naquela época.


- Falando em marcação em campo, não dá pra deixar de citar seu grande amigo Nílton Santos, que foi seu primeiro marcador oficial.
- Nílton era um grande amigo, meu compadre, meu irmão. Foi padrinho da minha filha de tão ligados que éramos. Ele sim, era um exemplo de atleta, não brincava em serviço, se resguardava e por isso foi eleito em 1998 o lateral-esquerdo do século. Apesar dessas nossas diferenças de personalidade, Nílton foi meu melhor amigo no futebol.


- Conte um pouco sobre o primeiro treino seu no Botafogo, quando você jogou contra ele.
- Olha, como eu não acompanhava direito futebol nem pelos jornais, pois nunca fui muito chegado a ler, nem sabia que estava jogando contra um craque de Seleção. Sei que joguei como se eu estivesse numa pelada em Pau Grande. Não estava nervoso, não estava nem aí se estavam me observando ou não, eu sei que atendi a um pedido de um dirigente do Botafogo que me viu jogando pelada em Pau Grande. Nílton chegou na primeira bola muito confiante e eu o driblei. Nas próximas ele foi mais duro, mas posso te garantir que não dei nenhum baile nele como falaram bastante pela imprensa, apenas o enfrentei de igual para igual. Fizeram muita onda porque eu era um menino da roça e ele era um jogador de Seleção. No final do treino ouviram o parecer dele que dizia pra me contratarem logo, que "era melhor ele conosco do que contra nós" aí o resto é história.


- Você teve outros marcadores, cujos duelos foram memoráveis.
- Tinha o Altair - Olívia Palito - do Fluminense, que apelava às vezes, Coronel, do Vasco, que também não era mole, batia que não era brincadeira, sem contar a cobertura com Bellini e Orlando Peçanha e diversos jogadores de outros times. Mas Jordan, do Flamengo, foi meu marcador mais leal, pois era mais técnico e preferia ir na bola do que nas minhas pernas. Jordan era forte pra burro, mas jogava na bola. Ficamos amigos.


- Além de Nílton Santos, quais eram seus outros amigos mais chegados?
- Fora a turma de Pau Grande, que conhecia todo mundo e todo mundo era amigo, no futebol o Didi, que eu só chamava de "Crioulo" e Nílton, mais velhos e mais experientes que eu, eram grandes amigos, sempre me dando conselhos, mas não ouvia nenhum (risos), o Sandro (Moreira, jornalista) sempre me tirando dos porres (mais risadas), Neivaldo que era meu reserva, Vavá, e tanta gente que é até injustiça ficar falando nomes porque graças a Deus sempre tive ótimo ambiente nos clubes e na Seleção e fiz amigos demais.


- Você chegou a ver seu filme biográfico "Estrela Solitária" com o André Gonçalves fazendo o seu papel?
- Vi sim, mas podia ter mostrado mais meu lado de jogador do que de pinguço, meu lado de pai, pois eu adorava minhas filhas, e só quiseram mostrar o Garrincha que gostava de cachaça e de mulher. A maioria do filme era verdade, mas pra mostrar minha biografia mesmo poderiam fazer mais uns dois filmes de continuação e se fixar mais na minha carreira e na contribuição que dei pro futebol do Brasil.


- Depois que você largou de vez a carreira, quem você acha que poderia ter sido seu sucessor?
- Olha, infelizmente o futebol perdeu um pouco da magia do drible, que era mais espetacular do que o próprio gol. Pra ser sincero eu preferia driblar do que fazer gol, mas como a única maneira de ganhar os jogos era colocando a bola na rede, de vez em quando fazia meus golzinhos. Nos anos oitenta, pouco antes de'u morrer, tinha aquele ponta-esquerda do Flamengo, o Júlio César "Uri Geller", que apelidaram de "entortador", que teve uma carreira curta, coitado, acho que quebraram ele muito cedo. O Renato Gaúcho era um ponta muito habilidoso, driblava bem, o Denílson, que jogou no São Paulo, Palmeiras e jogou na Espanha também é um ponta driblador, pela esquerda. Mas o futebol perdeu sua magia, seu espetáculo circense que fazia a galera delirar. Provavelmente, que mais se assemelhou ao meu estilo talvez fosse o Júlio César do Flamengo mesmo. Driblava até a alma dos zagueiros. Hoje em dia um jogador no estilo de antigamente talvez seja o Robinho, que tem um drible mortal, mas não se fixa numa área determinada do campo.


- Você tinha um técnico com quem teve preferência por trabalhar?
- Tive vários técnicos na minha carreira. O primeiro foi Seu Gentil Cardoso, meio difícil de se conviver, quase todos eles na época eram. Seu Zezé (Zezé Moreira) era uma mãe. Já Seu Saldanha era nervoso, mas não complicava com esquemas táticos, deixava a gente jogar como sabia. Na Seleção foram Seu Feola, Aimoré Moreira, os dois muito legais, todos esses respeitavam muito a gente. O problema é que todos faziam suas preleções longas antes dos jogos, Gentil então adorava, Saldanha era mais prático, mas na hora que eles falavam ou eu ficava de brincadeira com alguém ou eu nem ligava, às vezes até cochilava.


- Ficaram famosas as suas fugas das concentrações, hein Garrincha?
- O que acontecia na época é que a gente não tinha a diversão de hoje em dia nas concentrações. Alguns gostavam de ler, outros de jogar baralho apostando a dinheiro, eu não curtia nada disso, então o jeito era driblar a vigilância - nisso eu também era mestre e tinha minhas táticas - e ir pra rua namorar, que era uma das coisas que eu mais gostava, além de caçar, pescar e jogar pelada. Como nas concentrações não dava pra fazer essas três últimas (risos)...


- Existem várias histórias a seu respeito que viraram lenda, como você gostava de brincar com seus colegas. Tem alguma história verdadeira para contar?
- O Manga era um dos meus preferidos pra brincar, justamente porque ele tinha aquela cara fechada, mal-humorada. Num país desses da Europa ele comprou um rádio e como dividíamos o quarto ele entrou, me mostrou o aparelho, aí falei pra ele que esse rádio, mesmo no Brasil, só iria pegar estações da língua do país que ele nem falava, mesmo a nossa língua ele mal sabia direito (risos). Então eu disse que dava a metade do valor que ele comprou. Ele me vendeu na hora e depois ficou tirando onda com nossos outros colegas que tinha me passado a perna (risos gerais).

- Agora, conta pra gente, Garrincha: qual era o seu segredo ao driblar?
Garrincha para... olha pro infinito, fica alguns segundos calado, toma mais uma pinga de um gole só e responde:
- Rapaz, sinceramente, não tinha segredo não. Ficavam dizendo que meu único drible era aquele de jogar a bola pra direita num corte e passar pelo lateral, mas às vezes eu corria que nem um cavalo e de repente só eu sabia quando parava, pisava na bola dando um freio e o lateral seguia a corrida ou caía, e me deixava livre pra passar por ele. No drible parado eu esperava que ele desse "o bote" quando o duelo era "mano a mano" e quando ele ficava apoiado só pela perna de apoio eu aproveitava a deixa pra botar a bola debaixo das pernas dele ou mesmo fazer o tradicional corte pela direita. Era preciso um pouco de paciência para esperar o zagueiro vacilar, eu tinha essa paciência, e então só driblava no momento certo, quando ele ficava meio vulnerável. Se ele ficasse parado eu fingia que ia, não ia, o zagueiro acompanhava e quando ele estivesse no contrapé pra voltar à posição de marcação, nessa fração de segundo eu ia. Acho que conseguiram documentar muita coisa em filme e por ele você pode ter uma idéia.


- Garrincha, pra terminar, ficou alguma mágoa de alguém na vida?
Garrincha pára. Olha de novo pro alto e responde com a voz mansa de sempre, sem rancor:
- Olha, fiquei muito triste com os dirigentes que comandavam o Botafogo nos meus últimos anos no clube, que depois que estourei meus joelhos defendendo o alvi-negro, os mesmos que me venderam pro Corinthians. Mas depois passou, encerrei minha carreira e fui viver com a "Crioula" e os filhos dela. Eu sei que errei com muitos nessa vida, até com as minhas filhas, mas acho que quando fui pro andar de cima já tinha sido perdoado por elas e por essa gente. Fiquei feliz por ter dado tantas alegrias aos torcedores de todos os clubes, não só do Botafogo mas de todo Brasil. Acho que poderia ter vivido um pouco mais, mas pra ser sincero fui embora com a alma lavada, quando aquela gente toda estava chorando no meu enterro, e até hoje ainda sou lembrado como a "Alegria do Povo". Na verdade, o povo é que era a minha alegria.

Então, Garrincha se levantou, me deu um abraço e disse "até qualquer dia, gente boa" e se dirigiu lentamente e arrastando os chinelos em direção à pequena porta do bar. Levanto-me em seguida para acompanhar sua saída e quando saio da porta, já o perdi de vista. Só consigo ver depois um pequeno passarinho, que depois de dar sete ziguezagueadas no ar some em direção ao céu.
Depois dessa entrevista eu tive a certeza de que o futebol de Garrincha foi tão grande quanto a sua humildade...